O presidente da BR Distribuidora, José Lima de Andrade Neto, disse hoje que a safra da cana de açúcar foi insuficiente para reverter o fluxo de consumo que havia migrado do etanol para a gasolina durante a entressafra, quando a falta do combustível fez seu preço bater recorde histórico. Segundo ele, o consumo em julho de 2010 se dividia em 63% para a gasolina e 37% para o etanol, chegou a 88% para a gasolina em abril e voltou para 75% em julho de 2011.
"Temos um mercado aquecido que já vem demandando mais combustíveis este ano e a gasolina acaba sofrendo mais pressão por conta desta falta de etanol", comentou Lima, destacando que a safra deste ano teve uma redução na produção, o que acabou fazendo com que os preços estejam ainda 30% superiores ao do mesmo período no ano passado.
Segundo Lima, o consumo de gasolina verificado pela BR Distirbuidora no primeiro semestre foi 17% superior ao mesmo período em 2010. Em julho, este crescimento foi ainda maior por conta das férias escolares. A tendência, acredita, é de que estes níveis continuem altos por mais um período. "É preciso lembrar que qualquer medida para aumentar a produção de etanol no país passa pela necessidade de plantar mais cana e isso é uma solução que demanda pelo menos mais dois ou três anos", disse.
O presidente da BR ainda destacou que, relativamente, o preço da gasolina está mais barato do que o álcool na fonte. Ele lembrou que o litro do etanol tem saído em média a R$ 1,30 das usinas, enquanto o litro da gasolina sai por R$ 1,05 da refinaria. "Ao valor da gasolina é acrescido o da mistura de anidro, além de impostos. E a tributação no Brasil para os combustíveis é alta, se assemelha mais à da Europa, onde os tributos chegam a 100% do valor do combustível, do que dos Estados Unidos, onde estes tributos são até baixos", comentou, lembrando que o etanol tem subsídios e uma menor carga tributária.
"Se fôssemos falar apenas em equivalência energética, o etanol deveria custar 75% do preço da gasolina na fonte". Com este argumento ele rebateu críticas de consumidores que dizem que a gasolina aqui no País acaba sendo mais cara dos que nos Estados Unidos. "Na verdade o chororô da Petrobras é exatamente o contrário: o de que estamos vendendo gasolina aqui mais barato do que no mercado internacional", disse.
Reversão
Para ele, as incertezas geradas com relação à garantia de abastecimento num passado recente, além da necessidade de fazer investimentos no veículo para usá-lo com GNV é que contribuíram para afastar o consumidor do produto. "Com a elevação do preço do álcool, a concorrência acabou ficando mais vantajosa e o consumidor está novamente voltando sua atenção para o GNV.
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