sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Os Agentes do Destino

Os Agentes do Destino
Baseado em um conto de Philip K. Dick, o qual a série Fringe tem como referência maior, o filme não nega, nem por um instante, que se trata de um romance, mas o é à sua maneira.

Funcionando, com menos firmeza, como ficção científica e thriller de espionagem, o longa ainda consegue incutir dúvidas existenciais e incertezas sobre quaisquer decisões que tomamos (ou deixamos de tomar – o que não deixa de ser uma decisão). Para isso, o diretor novato George Nolfi (um dos roteiristas d’O Ultimato Bourne) escreveu um roteiro inteligente, capaz de entregar fatos a passos graduais sem comprometer o nosso interesse por um desfecho convincente.

Acostumado que está a escrever sobre espionagem, sendo roteirista, também, em Doze Homens e Outro Segredo e Sentinela, Nolfi demonstra sua capacidade para elaborar quebra-cabeças complexos sem exigir demais da inteligência do espectador, mas sem duvidar dela. Isso surte um interessante efeito de convite à obra, para que, junto aos protagonistas, consigamos desvendar o que se passa. É divertido.

Matt Damon e Emily Blunt, sempre corretos em suas atuações, convencem demonstrando entrosamento e uma química bastante favorável e, ajudados pela fotografia muito bem realizada e por um belíssimo figurino, conduzem a história com maestria e jamais perdem o carisma.

Carregado de referências, desde O Processo, de Kafka, até à obra do pintor surrealista belga Reneé Magritte, Os Agentes do Destino é, de fato, um bom filme. Diverte e induz o pensar sem dificuldade. Portanto é, realmente, uma pena que aquele nosso interesse por um desfecho convincente não seja atendido.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A Garota da Capa Vermelha

A Garota da Capa Vermelha
“Da diretora de Crepúsculo”. Essa é a primeira chamada do filme. Faltou lembrar à produção que isso não é exatamente um mérito. Por favor, não me tenha como preconceituoso! Catherine Hardwicke já esteve à frente do ótimo Aos Treze e do bom Os Reis de Dogtown, porém, infelizmente, parece ter resolvido enterrar uma carreira que poderia, sim, ser brilhante.

Apostando nos mesmos estereótipos massantemente desgastados da “Saga” Crepúsculo (a garota apaixonada e, ao mesmo tempo, desorientada disputada por dois rapazes opostos), a cineasta exibe uma película que requer coragem (para assistir), paciência (para suportar) e uma memória seletiva (para esquecer). Mesmo que alguns poucos lampejos daquela diretora de oito anos atrás se mostrem presentes (como as rápidas jogadas de câmera), nada seria suficiente para suplantar o roteiro (?).

O roteirista David Johnson, que, com A Orfã, também tivera um início promissor, realiza um trabalho sem propósito, com diálogos fracos e vagos e resoluções inexpressivas e previsíveis. Sua sorte é poder contar com o sempre excelente Gary Oldman (aqui, no papel de um sacerdote aficionado) para entoar o que escrevera e da admirável Julie Christie (que interpreta a “vovó”). Amanda Seyfried (Valerie – a Chapeuzinho), Lukas Hass (Padre Auguste) e Virginia Madsen (Suzette) inteiram a lista das interpretações que valem, ao menos, parte do ingresso.

Da mesma forma (visto de ângulos opostos, claro) estão os dois jovens péssimos atores que disputam Valerie, sendo um deles (Max Irons) filho do sensacional Jeremy Irons. Sem qualquer carisma, eles conseguem puxar a produção ainda mais para o buraco negro da inconsciência (como se ela não tivesse força suficiente para tal).

A fotografia, que chama a atenção por ser semelhante à da “saga” vampiresca, parece apostar no mesmo público pré-adolescente e adolescente que vibra com Edward, Bella e o lobo mau Jacob, assim como a triste (de ruim) direção de arte e a trilha sonora sem qualquer clímax.

Mas nem tudo são espinhos (como, felizmente, a maior parte do elenco comprova). De qualquer forma, 100 minutos não demoram para passar. E, algumas vezes, um filme ruim é tão bem-vindo quanto uma auto-injeção na testa... serve para despertar da inércia.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Se Beber, não Case! - Parte 2

Se Beber, não Case! - Parte 2
O filme original estabeleceu uma fórmula certeira: inicia no ápice do caos, seguido de um flashback e termina com a exibição das fotos que provam a origem dos problemas. Em “Se Beber, não Case 2” temos a mesma boa piada sendo repetida, mudando apenas o cenário. É mais do mesmo, porém satisfatório!

Excetuando-se uma perceptível quebra de ritmo após sua primeira hora (que volta a engrenar próximo ao fim), o projeto do diretor Todd Phillips irá arrancar sonoras gargalhadas em pelo menos três momentos (lógico que não irei lhes contar quais). Assim como o primeiro, se trata basicamente de uma reunião de esquetes englobando diversos tipos de humor, sendo que neste segundo é dado maior enfoque ao slapstick (pastelão). Também fica claro que o personagem carismático de Zach Galifianakis (Alan) é a força condutora da obra. Basta ele aparecer em cena que começamos a rir, já antecipando suas tiradas sensacionais!

Um parágrafo direcionado aos possíveis detratores: apreciar (ou não) o estilo do filme é questão de gosto e preferência, mas é preciso entender que não existe apenas uma forma de fazer comédia, ou alguma que se possa afirmar ser “melhor”. Existem melhores em cada estilo, portanto não comparem “Se Beber, não Case 2” com uma comédia do Monty Python, nem com uma do Woody Allen, pois além de estarem cometendo uma injustiça, ainda demonstram pouco conhecimento desta arte como um todo. Se quiserem comparar, que seja com o original ou até mesmo com “Quem vai ficar com Mary?”

O filme não evolui os conceitos do original, porém diverte da mesma forma. Por não ter o mesmo “efeito surpresa”, o roteiro apela para um humor mais grosseiro. Mas se você entrar no cinema sabendo o que irá encontrar, sairá muito satisfeito.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A Falta Que Nos Move

A Falta Que Nos MoveCom fortes características teatrais, pitadas de documentário e com uma ótima pegada cinematográfica, a diretora Christiane Jatahy faz uma excelente estréia nos cinemas com A Falta Que Nos Move, mas um ótimo fruto advindo do teatro e muito bem adaptado para a telona.

A Falta Que Nos Move é sobre amizades e histórias familiares. É um filme dentro de um filme. Em cena, o encontro de um grupo de amigos na véspera da noite de Natal. Eles se reúnem com o objetivo de fazer um longa-metragem, enquanto esperam para jantar uma pessoa que não sabem quem é, nem se vai realmente aparecer. A partir desse encontro, alegrias, frustrações, ausências e paixões vêm à tona no limite da tensão.

Longe da morosidade habitual presente na maioria das adaptações de textos teatrais que levam o formato dos palcos para as telas, com raras exceções, claro, Jatahy consegue misturar ficção e realidade propondo um interessante jogo de cena. Inserindo a Metalinguagem, a diretora trás o público para dentro da história, ampliando as possibilidades do gênero indo além do experimental.

Elenco afiado que vive eles mesmos ao mesmo tempo em que interpretam diferentes situações como personagens. Com uma direção ao mesmo tempo rica e curiosa após cinco meses de ensaio Jatahy criou um delicioso jogo de cena rico em atuações. A Falta Que Nos Move é um dos melhores filmes da temporada e vale a pena ser visto e revisto
.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

OS PINGUINS DO PAPAI

Os Pinguins do Papai“Os Pinguins do Papai” é o melhor filme para se assistir em família nesta temporada. Ele reutiliza em seu molde diversos elementos recorrentes na filmografia de Jim Carrey, como a importância da união familiar como solução para os problemas. É um filme à moda antiga, porém sincero em suas intenções.

O diretor Mark Waters (de “E se fosse Verdade...”) evita os obstáculos do roteiro e transforma o que fatalmente seria (em mãos menos capazes) um “filme de uma piada só”, em um produto mais interessante. O ambiente do filme pode ser gelado, porém se nota a cada frame um coração quente pulsando. Ele não “reinventa a roda”, mas cumpre seu papel de maneira exemplar.

Baseado em um clássico livro infantil de 1938 (de Richard e Florence Atwater), o roteiro retém o essencial: a trajetória de um homem que aprende a dar valor à sua família, após sua convivência com pingüins. Carrey vive Tommy Popper, um homem que vive de vender sonhos como uma maneira de fechar negócios, porém ele próprio negligenciava a fantasia em sua própria vida. Suas aventuras de criança, quando recriava em sua imaginação os atos de heroísmo de seu pai (que vivia viajando e somente se comunicava com ele por rádio), ocupavam agora um recôndito sombrio em seu coração. Escravo de sua rotina, pouco se emociona ao saber que seu pai havia falecido, porém a herança pouco usual que ele lhe oferece, irá fazê-lo repensar todas as suas escolhas.

As várias referências explícitas à Chaplin não escondem a inspiração da obra, que é honestamente infantil em essência. A presença no elenco da veterana Angela Lansbury (Van Gundy) é um afago nos cinéfilos mais dedicados. Sem dúvida, “Os Pinguins do Papai” é o melhor filme de Jim Carrey em muitos anos, que compensa suas falhas com muito coração e sensibilidade.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Transformers: O Lado Oculto da Lua

Transformers: O Lado Oculto da LuaTransformers – O Lado Oculto da Lua tem a missão de melhorar a imagem da criticada franquia que Michael Bay (Pearl Harbor) iniciou há cerca de 6 anos. Principalmente depois da equivocada segunda aventura dos robôs que se transformam em carros. Até mesmo o diretor, em recente coletiva de imprensa no Rio de Janeiro, admitiu que o longa não foi como se esperava em sua execução.

Confesso que gosto da ousadia do diretor em adaptar personagens que tão complexos para o cinema. Ao contrário de outros filmes que adaptados para a tela grande, possuem uma viga mestra em que se basear, como os famosos heróis dos quadrinhos que possuem um perfil de cada personagem. Robôs que surgiram como brinquedos e depois ganharam fama graças a desenhos animados dos anos 80 carecem de uma origem e perfis melhor delineados. Porém o diretor tem o péssimo hábito de pesar a mão nas cenas de ação. E isso, a exemplo da segunda aventura, se repete à exaustão.

Nessa nova aventura, os Autobots, liderados por Optimus Prime (Peter Cullen), participam de missões secretas ao lado dos humanos, onde tentam exterminar os Decepticons existentes no planeta. Um dia Optimus descobre que os humanos lhe esconderam algo ocorrido no lado oculto da Lua. Paralelamente, Sam Witwicky (Shia LaBeouf) vive com sua nova namorada, Carly (Rosie Huntington-Whiteley), e está à procura de emprego.
Esse exagero somado a sua longa projeção – são quase 3 horas de filme – devem cansar o maior dos amantes desse gênero. Assim como em outros longas capitaneados por Bay, Transformers se baseia em explosões, correria, tiros e tudo mais. E entre uma cena e outra, juras de amor e toques de comédia. Sem saber unir tantos elementos, Bay perde o fôlego no meio do filme depois de um início promissor. Mas vale a pena destacar os ótimos efeitos visuais e o 3D de Transformers. Isso mais as boas participações de John Malkovich e Francis McDormand valem o ingresso. 

Banco tem capacidade de emprestar R$ 10 bi



O Banco Original tem capacidade de emprestar R$ 10 bilhões em linhas de crédito ao agronegócio, destacou o presidente da J&F, holding que controla a instituição financeira, Joesley Batista. Para 2012, a projeção é triplicar a carteira do setor. Segundo ele, a meta é ser um dos maiores bancos do País para o agronegócio. "O agronegócio durante muitos anos foi visto como segmento marginal, onde só o Banco do Brasil financiava. Isso é coisa do passado. Hoje o setor é profissionalizado", disse o executivo.

Para criar o Original, a partir da fusão do Matone com o Banco JBS, houve um aporte de R$ 1,85 bilhão, feito pela J&F. O presidente da holding destaca que houve a participação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) na operação de capitalização. "Mas não foi o ator principal da história (de criação do banco)", disse, em entrevista à imprensa. Sem revelar valores, Joesley disse que a maior parte do aporte veio da holding J&F.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O Casamento do meu Ex

O Casamento do meu Ex“O Casamento do meu Ex” é desinteressante e previsível. Com atores mal explorados pelo fraco roteiro, razão pela qual os poucos momentos potencialmente dramáticos soem falsos, seja pelas situações formulaicas ou por não conseguirmos nos conectar emocionalmente com os personagens. A diretora inexpressiva Galt Niederhoffer adapta seu livro e parece não conseguir traduzi-lo com imparcialidade, carregando com mão pesada certas passagens. 

Na trama testemunhamos o reencontro de um grupo de amigos da faculdade no casamento de um deles. Recebemos então longos diálogos (a qualidade de alguns me fez sentir falta do cinema mudo!) e típicas discussões entre pseudo-intelectuais (comuns no cinema indie). Como público, somos como convidados indesejados, devido ao aparente desleixo em nos apresentar minimamente os personagens e suas motivações.

As atuações são satisfatórias, mas sem brilho. Katie Holmes (Laura) e Anna Paquin (Lila) protagonizam talvez o único momento em que chegamos a acreditar que existe algum ser humano sentado na cadeira de diretor, próximo ao final do filme quando discutem a respeito de um vestido de casamento.

Se o compararmos com obras similares, como “O Casamento de Rachel” e “O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas”, o filme se revela uma tentativa frágil com alguma pretensão e pouco conteúdo, valendo apenas pela bela locação e fotografia de Sam Levy. 

Crescimento populacional desafiam distribuição de alimentos



O crescimento populacional e as mudanças climáticas estão conduzindo o planeta rumo a episódios de agravamento da fome que apenas uma revisão do sistema alimentar poderá corrigir, afirmou, ontem, um painel internacional de especialistas. "Precisamos aumentar a produção global de alimentos em 30% até 80% até 2050 e reduzir as emissões (de carbono) pela metade", disse o professor britânico John Beddington, que presidiu um grupo de 13 membros durante nove meses.

Em 2012, será divulgado o relatório completo do encontro da chamada Comissão sobre Agricultura Sustentável e Mudanças Climáticas. As propostas se concentram no combate ao desperdício por meio de cadeias de abastecimento mais inteligentes, já que um terço dos alimentos produzidos para consumo humano é perdido ou desperdiçado no sistema de distribuição global.

"No século 21, temos um importante conjunto de ameaças convergentes", disse Beddington. "Há o crescimento populacional, o consumo insustentável dos recursos e grandes pressões sobre a Humanidade para que transforme a maneira como usamos os alimentos", declarou. "Mas (o problema) está intimamente relacionado a questões sobre água e energia."

Segundo Beddington, o salto dos preços dos alimentos em 2007/2008 empurrou 100 milhões de pessoas para a situação de pobreza e outros 40 milhões de pessoas foram pressionadas com a alta dos alimentos em 2010/2011. "Há uma preocupação real com a fome e há consequências do nível dos preços dos alimentos que causam instabilidade", comentou.

A Comissão foi estabelecida em fevereiro pelo Grupo Consultivo sobre Pesquisa Internacional em Agricultura, uma organização que envolve diversas outras, fundada por governos nacionais, organizações regionais e fundações de pesquisa. O grupo avalia formas de alimentar o mundo, cuja população já chegou a 7 bilhões de pessoas.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Maior produtor chinês de rações



Maior produtor chinês de ração animal, o New Hope Group Co vai lançar no fim do mês um braço de investimentos internacionais concentrado em aquisições no setor agrícola. Os negócios serão feitos com investidores estrangeiros, inclusive o fundo soberano de Cingapura Temasek Holdings, a companhia de grãos norte-americana Archer Daniels Midland (ADM) e a Japan's Mitsui & Co, de acordo com o presidente do New Hope, Liu Yonghao.

O grupo também planeja abrir sete ou oito fábricas fora da China, principalmente na Ásia, no Oriente Médio e na África. "A construção de nossa fábrica no Egito vai ser concluída em breve e estamos escolhendo a localização da fábrica na África do Sul", disse. "Também estamos explorando a possibilidade de investimento na Europa central", acrescentou.

Em abril, o New Hope Group cooperou com a Agria Corp, companhia de sementes chinesa, para comprar participação de 50,1% na neozelandesa de sementes PGG Wrightson, em um acordo avaliado em US$ 200 milhões. No início deste mês, a Sichuan New Hope Agribusiness, subsidiária do grupo listada em bolsa, formou uma joint venture com a japonesa Sumitomo Corp para atuar no processamento de suínos, no comércio e nas vendas. A Sichuan New Hope Agribusiness possui 51% da joint venture, cujo capital registrado é de 20 milhões de yuan (US$ 3,15 milhões), sendo que 34% são da Sumitomo Corp e 15%, da Sumitomo Corp. (China) Holding.

O anúncio sobre a internacionalização do New Hope Group foi feito durante um evento da indústria em Hong Kong e publicado no site financeiro Sina.com.cn. Mais detalhes serão revelados na cerimônia de lançamento, em Pequim.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Importação global de alimentos atingirá recorde



A conta das importações globais de alimentos deve bater o recorde de US$ 1,29 trilhão em 2011, o que representa uma alta de 24% ante 2010. A estimativa consta no relatório "Food Outlook" da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), divulgado neste mês. O aumento do custo das importações deve alcançar dois dígitos em todas as categorias de alimentos na comparação com o ano passado. De acordo com a agência da Organização das Nações Unidas (ONU), essa elevação deve-se mais ao aumento dos preços que ao volume comercializado.

A conta das importações deve pesar mais para os países menos desenvolvidos. Para eles, a fatura vai aumentar 32% neste ano. Em outra categoria, a das nações menos desenvolvidas onde há déficit de alimentos, o custo deve subir 27%. Nesses países mais vulneráveis, o gasto com as compras de alimentos deve equivaler a 17% do total das importações, ante 7% na média mundial. Para os desenvolvidos, a conta deve subir 22% em 2011.

A elevação do gasto do mundo com a importação de alimentos tem sido puxada pelos produtos à base de grãos e óleos vegetais. Juntas, essas duas categorias de commodities são responsáveis por 36% de toda a conta das importações, contribuindo também com mais de um terço do aumento do gasto ante 2010.

Outros produtos, contudo, também ficaram bem mais caros para os importadores. É o caso do açúcar e das bebidas (alta de 23%), e carne e lácteos (19%). Com a inclusão dos pescados, o custo das importações de proteína animal deve alcançar US$ 365 milhões em 2011. Trata-se do grupo de produto mais caro da cesta pesquisada pela FAO.

A elevação dos preços mundiais dos alimentos foi puxada principalmente pela queda do dólar na maior parte do ano, diz a FAO. Em contraste com 2010, o crescimento do volume comercializado no mundo foi insignificante e em alguns casos, como o do açúcar, até recuou. Isso ocorreu diante da combinação de aumento da produção doméstica em vários países e desaceleração econômica em importados destinos compradores de alimentos.

A fatura das importações só não subiu ainda mais por conta das tarifas estáveis de frete durante os primeiros oito meses do ano. Nas últimas semanas, contudo, os valores subiram com força, o que deve pressionar o custo das importações até o final do ano.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A Casa

A Casa“A Casa” é puro marketing! Estruturalmente não existe nada que se possa chamar de cinema nesta brincadeira cara. A própria chamada já vende um produto mentiroso: “O primeiro filme de terror filmado em um único plano sequência”. Não precisa muita atenção para perceber que a obra possui setenta minutos, porém inicia de manhã e termina à noite! É o dia mais curto da história do mundo! Pior que isto, não existe possibilidade de filmar algo por este tempo em um único plano sequência sem cortes. O mesmo recurso utilizado por Hitchcock em “Festim Diabólico” se encontra neste, ou seja, existem cortes discretos em cenas escuras. 

Todos estes problemas poderiam ser esquecidos, caso o roteiro fosse aceitável, mas não é o que acontece. Os poucos momentos de sustos não o tornam mais interessante que um passeio na mais medíocre montanha russa. As atuações chegam a ser embaraçosas em diversas cenas, mesmo levando em consideração o gênero e o público alvo do produto. O diretor uruguaio Gustavo Hernandéz até tenta elaborar criativas maneiras de contornar o baixo orçamento, porém não consegue salvar o projeto, que ainda entrega um final (no mínimo) decepcionante.

Com certeza os Estados Unidos irão criar uma refilmagem, que possivelmente será tão medíocre quanto o filme original, porém com o triplo da verba. O mais triste é pensar que se tratava de uma ótima idéia, infelizmente desperdiçada.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Para esta safra, as sementes modificadas devem ocupar cerca de 80% da área cultivada em Minas.



O agricultor Francisco Schreiner planta milho transgênico há três anos, em Campo Mourão, Paraná. Pela semente transgênica ela paga 30% a mais em relação à convencional, mas diz que compensa. “Tem um custo a mais, mas nós temos um grande benefício em função disso. Nós evitamos em torno de três, a quatro aplicações de inseticida a mais do que seria em uma lavoura tradicional”, explica.

A variedade de milho transgênico cultivada por Francisco Schreiner é a BT. Esta é a sigla para bacillus thuringienssis. Uma bactéria que vive nos solos e que tem poder inseticida. Um gene desta bactéria foi introduzido na planta de milho. Quando a lagarta do cartucho, principal praga da lavoura, se alimenta da folha, ela morre.

A primeira liberação comercial de uma variedade de milho transgênico no Brasil aconteceu em 2008 e veio acompanhada de algumas restrições. Uma delas é a necessidade deixar áreas isoladas ou de "refúgio".

A planta tem polinização cruzada e pode cruzar com variedades convencionais. Por isso, há uma exigência legal para que o produtor plante uma área de milho convencional ao lado do transgênico.

O produtor pode fazer isto de duas formas. Planta milho transgênico, deixa uma área de cem metros com outro cultivo, e aí planta o milho convencional. Outra alternativa é plantar o milho BT, deixar dez fileiras com milho convencional, e fazer então uma área de isolamento, de vinte metros, sem milho transgênico.

Deste modo, caso o vizinho tenha milho convencional plantado, a lavoura não será contaminada. Além de impedir a contaminação de lavouras convencionais, a área de isolamento tem outra função: evitar que as lagartas sofram mutação e se tornem resistentes.

“Uma parte das pragas se multiplica na área convencional. Se nós tivéssemos uma lavoura, onde não houvesse a possibilidade da multiplicação de nenhuma praga, facilitaria o surgimento de um indivíduo resistente, que se começasse a se multiplicar, colocaria a tecnologia em risco”, explica Gilberto Guarido, agrônomo.

Na Coamo, todo o milho recebido é geneticamente modificado. “Ninguém se preocupou em pagar um prêmio pra se proteger com o milho convencional, então hoje é uma realidade, tanto no mercado interno ou externo. Ele tem aceitação e nós não temos nenhum problema de comercialização”, diz José Aroldo Galassini, presidente da Coamo.

O agricultor, Cláudio Consonni, está começando o plantio de milho em Presidente Olegário, em Minas Gerais. As plantadeiras são abastecidas com sementes transgênicas, que custa 400 reais a saca, enquanto a convencional custa 300 reais.

“Apesar de a semente custar mais caro, você tem uma economia de 15% na sua lavoura e consegue um incremento de produtividade e, além disso tudo, você evita aquele uso de agrotóxico que causa, queira ou não, um impacto no meio ambiente”, afirma.

O agricultor Adalberto Gonçalves, de Patos de Minas, plantou 15 hectares de milho convencional. Ele diz que ganha mais pelo produto. “Hoje você consegue vender acima de dois reais. O preço básico do milho, que foi vendido na média por R$ 26, você vende a R$ 28. Esse lucro a mais que eu vou ter, vai compensar as pulverizações e ainda vai me sobrar mais dinheiro”, declara.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Carros 2

Carros 2Era tão difícil prever o resultado final deste Carros 2 quanto uma empresa concorrente alcançar o grau de complexidade do conjunto da obra Disney & Pixar. A dificuldade de previsão havia se solidificado durante mais de uma década e meia de animações primorosas. Com apenas dois longas muito bons (Vida de Inseto e o primeiro Carros - todos os outros estão acima), nada indicava indícios de qualquer crise criativa. Seriam, as mentes por trás das oscarizadas e quase imbatíveis animações, infalíveis?

Baseada em fórmulas e repleta de clichês hollywoodianos (especialmente aqueles advindos de filmes sobre espionagem), a obra é o primeiro grande tropeço da antes sobre-humana empresa. A queda parece visível demais quando até um personagem tão carismático quanto o guincho Mate (“como tomate mas sem o to”) surge deslocado. Aliás, a beleza desse personagem era realçada justamente por ser, no filme anterior, um coadjuvante. Enquanto funcionava como alívio cômico, a trama se desenvolvia com beleza, alguma profundidade e, certamente, boas risadas. Mas, elevado ao posto de protagonista, o favorecimento de um arco dramático mais contundente se desfaz, as piadas se tornam forçadas e surgem os estereótipos e os diálogos artificiais apoiados em uma trilha sonora abatida (estranhos para uma produção Pixar).

Surpreendente na utilização da violência e com um sadismo definitivamente inesperado para uma produção de apelo infantil (talvez, com o intuito de impressionar os adultos que nunca precisaram disso para se encantar com obras como a trilogia Toy Story ou Ratatouille – essa última com repetidas referências na película em questão, o que é incomum quando se trata de piadas internas da empresa), o filme pode ser visto como um amontoado de ótimas ideias mal aproveitadas. É, sim, um universo curioso e, sem dúvida, disposto a ser desenvolvido.

Assim mesmo, Carros 2 é um grande espetáculo estético e o design dos novos personagens (inclusive os figurantes) é inspirado... especialmente dos carros japoneses, que remetem diretamente a animés.

O caráter oportunista fica claro após a saída do cinema, quando, sem querer, é possível relacionar, diretamente, as quase infinitas aparições de produtos (de brinquedos a roupas) relacionados aos 106 minutos da projeção. É, então, que se pode ter certeza da dúvida sanada por Carros 2: as mentes por trás da Disney & Pixar não são infalíveis. Pior... são humanas.

Ou havia algo na água do pessoal. Eis que surge um grande mistério.
Aguardemos o próximo trabalho..

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Lavouras ficaram irreconhecíveis depois da chuva de granizo.



Frustrado, o cafeicultor Arthulino Salvador caminha entre o que restou dos 70 mil pés de café. A propriedade dele fica no Córrego Negro, em São Domingos do Norte, Espírito Santo. O produtor esperava colher 1.200 sacas na próxima safra, em vez disso, o prejuízo será enorme.

A chuva de granizo durou apenas 10 minutos, tempo suficiente para devastar lavouras inteiras. Em uma propriedade que tem 60 mil pés de café não sobraram folhas, nem grãos. A perda foi total. O cafeicultor Domingos Calixto perdeu metade da lavoura de café, 5 mil pés de pepino e 500 de banana.

A prefeitura agora faz um levantamento das áreas afetadas e garante que vai prestar assistência aos produtores. “A gente pede que os produtores afetados não tomem iniciativa sozinhos, procurem a secretaria de Agricultura que vamos prestar toda a assistência”, explica Paulo Bruni, secretário municipal de Agricultura.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Produtividade das lavouras superou expectativa e a safra deve ser maior.


As máquinas colhem o trigo nas propriedades em Tupanciretã, região noroeste do Rio Grande do Sul.

Nesta safra, os gaúchos plantaram 6% a mais do que na safra passada, o período de estiagem colaborou para acelerar os trabalhos e mais de 80% da área foi colhida.

O produtor Rogério Ceolin está colhendo cerca de 65 sacas por hectare e o trigo que sai das lavouras é de boa qualidade, conforme explica Jorge Vargas, consultor agronômico. “É um trigo que tem bom peso, que tem boa qualidade. É um trigo que muitos produtores estão com produtividade aceitável para os investimentos que foram feitos".

Mas a qualidade do trigo não é compensada com o preço. A média paga pela saca do grão no Rio Grande Sul gira em torno de R$ 24 e como a oferta é grande, faltam compradores no mercado. Por isso, os agricultores são obrigados a estocar o grão.

Em todo o estado, ainda estão estocadas cerca de 150 mil toneladas de trigo da safra passada, o que representa 7% do total.

Argemiro Brum, professor de economia internacional e especialista em análise do mercado de trigo, explica por que ainda tem tanto trigo estocado da safra passada e o motivo da desvalorização do grão. Confira o vídeo com a reportagem completa.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Cavaleiros de Tietê



No lombo das mulas, os cavaleiros mostraram habilidade. Na disputa, eles devem passar 40 minutos trotando com os animais nas marchas comum e diagonal e são avaliados em vários quesitos.


Diogo Peçanha, de Sarapuí, ganhou o primeiro lugar na categoria de marcha com mula adulta, resultado, garante, que vem do amor que tem pelo animal.

E a dedicação começa com os mais novinhos. João Pedro, de apenas nove anos, também levou um dos troféus na competição.

Mas quem foi à festa, não acompanhou apenas marchas e trotadas, não, também se deliciou com os costumes do povo simples da roça. Como em toda festa caipira do interior de São Paulo, não poderia faltar, claro, a comida tropeira, uma tradição mantida há 300 anos na região. Na cozinha improvisada teve arroz carreteiro, feijão gordo, bife passado no estrado e tudo terminou com a queima do alho.

Potiche - Esposa Troféu

Potiche - Esposa TroféuSou fã do trabalho do diretor François Ozon, que com este encantador “Potiche – Esposa Troféu” resgata a alegria de seus primeiros filmes (assim como a elegância da era de ouro do cinema francês). Este é o tipo de obra que, mesmo se você estiver cansado ou desinteressado a princípio, irá conquistar sua atenção até o último minuto! 

Ozon nos entrega pequenas homenagens ao longo da projeção. Todos os que se apaixonaram por Catherine Deneuve no clássico “Os Guarda-Chuvas do Amor” de 1964, irão adorar o cenário em que a atriz se encontra nesta produção. A eterna “Bela da Tarde” vive Suzanne Pujol, uma peça de enfeite (potiche) em uma relação desgastada, acostumada a não constar na lista de prioridades do marido (Robert, vivido por Fabrice Luchine), um homem desprezível e mulherengo, odiado por seus funcionários e ignorado por seus filhos. O cenário (final da década de setenta) é retratado de forma farsesca, garantindo um tom quente e colorido nas cenas de Deneuve, contrastando com os tons frios dos momentos em que Fabrice participa.

Greve de funcionários e a ascenção do movimento feminista eram o cenário comum da época na França, porém o diretor não força a mão no viés político, deixando claro se tratar de uma típica comédia farsesca. Sua origem teatral compromete em certos momentos, tornando alguns diálogos e cenas um tanto quanto forçados, mas nada que comprometa o resultado final. Vale destacar a presença carismática do sempre ótimo Gérard Depardieu (Maurice Babin), como um deputado que esconde um valoroso segredo. Sua química com Deneuve é um prazer aos olhos, simbolizada pela fantástica cena de dança em uma típica discoteca da época. 

domingo, 20 de novembro de 2011

Casamentos entre vacas e touros são feito com sêmen catalogado.



Uma fazenda de produção de leite em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, com plantel de 600 cabeças e 270 vacas em lactação, produz em média sete mil litros por dia. Na criação, o pecuarista Delcio Tannus Filho utiliza a técnica da fertilização in vitro – ou bezerro de proveta. Para isso, ele recebe o veterinário da central de sêmens de Uberaba, Rodrigo Longo, que avalia 17 características de cada candidata. Depois, envia as informações para um programa de computador que limita o parentesco do rebanho. Alguns trabalhos mostram perda de até US$ 24 para cada ponto percentual de aumento de consanguinidade.


No escritório, eles fazem os casamentos entre as vacas da fazenda e os touros da central através do sêmen catalogado. “O programa mostra que pode haver uma melhoria de aproximadamente 200 quilos de leite por animal por ano. Além disso, nós estamos conseguindo melhorar aqui mais de 2.3 em vida produtiva. Isso significa que as vacas irão produzir a mais 2.3 meses de vida produtiva. O investimento anual nesses animais em fase de lactação seria de R$ 24 mil em sêmens”, explica o veterinário. Para Delcio, esse não é um investimento alto para a fazenda: “Se colocar em conta o melhoramento que eu estou tendo do rebanho e a produção que eu vou ter, não é um custo alto”.

As doses chegam ao curral em um botijão e o próprio funcionário da fazenda, que recebeu treinamento, faz as inseminações. Na lista de touros dos acasalamentos estão alguns que pertencem à outra fazenda. Os donos de um plantel de Uberaba, por exemplo, têm 20 touros produzindo sêmen em centrais, mas seu maior patrimônio são as fêmeas que, a partir de uma rigorosa seleção, são vendidas a outros criadores como grandes produtoras de leite.

As bezerras em fase de cria são amamentadas duas vezes por dia e ainda recebem ração. “Aqui a gente oferece concentrado e volumoso para tentar estimular esse animal a virar ruminante mais cedo”, diz o veterinário Eduardo de Oliveira. Os animais vivem sob a vigilância de José Bonifácio Filho, olheiro das bezerras desde a primeira lactação, em torno dos 36 meses. “Tem alguns animais que não correspondem. Genética não é um mais um, então você tem que avaliar para cuidar dos melhores indivíduos”, avalia.

A vaca só vai ser considerada de elite se todo o trabalho de cruzamentos e manejo for traduzido em boa produção de leite. “São dois resultados em um processo de seleção que serão aferidos. Um é a produção do indivíduo, produção de carne ou de leite. O outro é a sua progene. Ele tem que transmitir o que ele produz. Com o uso da reprodução assistida que iniciou-se com a transferência de embrião, houve uma aceleração na reprodução das fêmeas. Isso também democratizou e barateou a genética através das mães”, afirma o veterinário Homero Ribeiro.

O veterinário Juliano Franco é considerado um dos principais promotores de genética na região norte do país. Em Araguaína, no Tocantins, ele conta que passa mais tempo na estrada do que nas propriedades. “Dependendo da localização da propriedade, chega a até 900 quilômetros, próximo a São Luiz, Teresina e Belém. São locais bastante distantes e propriedades que têm que usar estrada de terra, pegar balsa para atravessar o rio Araguaia, o rio Tocantins e acaba sendo a solução para essas propriedades que querem fazer melhoramento genético.

O Brasil é o maior exportador de carne do mundo e autossuficiente na produção leiteira.
Para manter o rebanho cada dia mais produtivo, não há outro caminho: o melhoramento passa sempre pela genética.

sábado, 19 de novembro de 2011

Venda de sêmen bovino cresce 16,5%



A comercialização de sêmen bovino vem crescendo no Brasil. De acordo com a Asbia (Associação Brasileira de Inseminação Artificial), em 2010 foram vendidas 10,5 milhões de doses e no primeiro trimestre de 2011 houve um aumento de 16,5% em relação ao mesmo período do ano passado.


Um grupo de consultores de uma das maiores centrais de produção de sêmen do país percorre anualmente as fazendas à procura dos melhores touros. A escolha começa com garrotes de um ano e meio. O fenótipo, ou seja, as características visuais como peso, altura e pelagem são avaliadas. Outro fator levado em conta é o genótipo, o histórico genético de cada animal: quem é o pai, a mãe, e quais as chances dele passar o pedigree para frente.

Claudio Sabino, fazendeiro de Uberaba, no Triângulo Mineiro, é dono de um dos campeões de produção de sêmen do Brasil e acredita que o segredo para ter um rebanho de qualidade passa pelo resultado dos bons cruzamentos. “O intervalo entre gerações de um bovino era de cinco anos. Hoje, está com três, quatro anos, pela precocidade que aconteceu no zebu. Hoje tem muita seleção que está fazendo o primeiro parto aos dois anos. Tem muita seleção que já está fazendo o abate dos machos aos dois anos”, explica o produtor.

Segundo o veterinário Tiago Carrara, gerente da central de sêmen, o mercado está cada vez mais exigente: “Antigamente a gente olhava só o peso, mas aí deparamos com a dúvida de se nossas vacas estavam sendo boas mães e dando leite suficiente para que nossos bezerros pudessem crescer de forma produtiva e eficiente. Então decidimos investir em habilidade materna. As novas tecnologias têm buscado muito em questões de qualidade de carcaça, para que o produto no frigorífico tenha qualidade”.

A rotina de uma central de produção de sêmen começa com a escolha de touros. Aos dois anos de idade, os melhores animais de cada fazenda vão para a central, onde passam por uma quarentena e já começam a produzir sêmen. Alguns animais despertam tanto interesse do mercado que a central vende todo o sêmen que coleta e não consegue fazer um estoque. Esses touros nunca voltam para a fazenda de origem e passam a vida inteira em piquetes.

Cada piquete tem 1,2 mil m² com sombra, cama coberta de areia, serragem e muita mordomia. Não é para menos, já que um touro que vende 40 mil doses de sêmen por ano pode faturar R$ 1 milhão no período. A pastagem é feita sobre grama estrela, que tem valor nutricional baixo e resiste bem ao pisoteio de animais que pesam cerca de uma tonelada.

A ração dos touros é balanceada e oferecida duas vezes ao dia. Cada animal tem uma dieta diferente, identificadas por argolas – vermelhas significam que o animal está de regime. Touros gordos ficam preguiçosos e não produzem sêmen de boa qualidade. A rotina deles consiste em comer, pastar, dormir e ter o material coletado.

A monta é feita em vacas chamadas de manequim e acontece no meio dos piquetes para estimular a competição entre os touros e aumentar a libido e a vontade de cruzar. Algumas vezes isso leva tempo e o coletador de sêmen precisa esperar. Como a monta é rápida e o sêmen tem que cair dentro do tubo, o peão Jorge Silvano é paciente e muito ágil na hora certa. “Ele estava com uma vaca, não estava muito bom, chegou a outra e ele animou mais rápido. Às vezes, no outro dia, ele não vai querer essa e vai querer a outra”, explica.

Assim que o sêmen é coletado, vai para o laboratório para ser avaliado. Um computador examina a qualidade do material e, na tela, é possível ver a movimentação dos espermatozóides e saber quais são os mais lentos e quais os mais eficientes. Com esse diagnóstico, fica mais fácil saber quantos espermatozóides devem conter em cada dose.

Só em uma das centrais, 20 mil doses de sêmen são produzidas por dia. Por isso, o controle de identificação precisa ser rigoroso. Cada dose é envasada em uma palheta com nome e número do animal, congelada a uma temperatura de -196ºC e guardada em nitrogênio líquido.

O técnico de laboratório Tiago Nogueira, responsável pelo raqueamento do sêmen, precisa ter muita atenção para não misturar as palhetas e os touros.

Tiago explica que o que determina o valor de cada dose é a genética, enquanto algumas custam R$ 10, outras chegam a custar R$ 3 mil. “A média de uma dose de sêmen custa R$ 17. É um investimento muito baixo para um retorno muito alto. Hoje, a gente consegue fazer o investimento em um botijão com mais de 500 doses de sêmen por R$ 4 mil. Por esse valor, você não compra um touro de alta qualidade genética. Então, a gente consegue levar para a fazenda por R$ 4 mil todo o material necessário para inseminação artificial e o sêmen de um dos melhores touros que se tem no mercado".

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Kung Fu Panda 2

Kung Fu Panda 2
Enquanto este possui mais ação, o original é superior em todos os outros aspectos. O que não quer dizer que “Kung Fu Panda 2” seja ruim, muito pelo contrário! Só carece do fator “surpresa”, que era o elemento mais interessante do primeiro, fazendo com que o humor seja “mais do mesmo”.

Mesmo sendo as crianças o público alvo prioritário, poderia ter sido evitado o excesso de clichês (problema em quase todas as animações da Dreamworks), fazendo parecer em certos momentos que estamos assistindo uma animação da década de 80 (mesmo que o visual seja moderno). O elemento que mantém a atenção dos adultos até o fim é a interpretação inspirada de Jack Black (e Lúcio Mauro Filho na ótima dublagem nacional) e o carisma que ele consegue dar ao corajoso protagonista, que já está na liderança dos Cinco Furiosos, mas tem uma lacuna a ser respondida em sua vida: por que ele é um urso e seu pai um ganso? Em uma válida mensagem para as crianças sobre as diferenças (análogas a todos nós), o personagem tenta descobrir sua identidade e sua função no ambiente em que habita. As respostas dadas são previsíveis, porém divertirão os pequenos.

Comparativamente, não é das melhores animações que o próprio estúdio já criou. A lição de moral já bastante desgastada poderia ter sido exposta de maneira muito mais agradável, assim como o resultado final poderia ser mais ousado e emocionante, mas a intenção desta vez parece ser somente lucrar com o sucesso do filme original.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Etanol hidratado sobe 0,78%



O etanol hidratado subiu 0,78% e o anidro ficou praticamente estável, com aumento de 0,01% nas usinas de São Paulo, esta semana, de acordo com os indicadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) divulgados há pouco. O preço do anidro, misturado em 20% à gasolina, variou de R$ 1,3817 para R$ 1,3819 o litro, em média, ante a semana passada. Já o litro do hidratado saiu de R$ 1,2725, para R$ 1,2824, em média, entre os períodos. Os preços não incluem impostos.

Segundo a equipe de pesquisadores do Cepea/Esalq, a semana foi marcada pela estabilidade no mercado dos combustíveis, refletida nas pequenas variações de preços. Os negócios foram menores, em virtude do feriado da Proclamação da República, na última terça-feira.

domingo, 13 de novembro de 2011

Vênus Negra

Vênus Negra
Com “Vênus Negra”, o diretor tunisiano Abdellatif Kechiche nos apresenta o lado bestial do ser humano. A curiosidade que não encontra limite enquanto não é saciada, mesmo que dependa da humilhação de outros.

Baseado na história real da sul africana Saartjie (ótima atuação da estreante cubana Yahima Torres), que se apresentava em circos de aberrações na Londres do início do século dezenove. O público se chocava com as grandes dimensões de seu corpo (diferente do padrão da mulher européia da época) e médicos anatomistas chegavam a utilizá-la como objeto de estudos, comparando suas nádegas às de um babuíno e a dimensão de sua cabeça com a de um macaco, tentando provar a tese de que ela simbolizava o elo perdido entre os macacos e os africanos. Nesta cena que se passa logo no início, fica impossível não nos lembrarmos de situação semelhante no clássico de David Lynch: “O Homem Elefante”. A atmosfera é tão opressiva quanto!

A intenção do diretor é nos transformar em membros do público (com uso ostensivo de câmera em primeira pessoa na platéia), que assiste a degradação a qual a jovem se permite passar, em longas (muito longas) e torturantes cenas. A brutal exposição de seu corpo pode afastar o público casual, porém aqueles que suportarem os excruciantes 160 minutos da obra serão recompensados ao final, com pelo menos uma cena de extrema beleza, onde a protagonista revela seu lado humano e sensível. Não chega a ser tão eficiente quanto o clássico lamento de John Merrick no filme de Lynch (“Eu sou um ser humano!”), porém emociona.

Para terem uma noção clara do que esperar ao assistirem “Vênus Negra”, basta imaginarem uma combinação entre “O Homem Elefante” e “A Paixão de Cristo” de Mel Gibson. Em certos momentos, a exposição da humilhação humana beira o sadomasoquismo, infelizmente deixando o aprofundamento psicológico dos personagens (e suas motivações) em segundo plano. 

Agricultores que perderam as lavouras temem não receber o dinheiro.



Em todo o estado do Piauí, 96 mil famílias se inscreveram este ano no programa Garantia Safra. Desse total, 38 mil estão pleiteando o dinheiro do seguro porque perderam a maior parte da colheita com a estiagem do primeiro semestre.

Os agricultores receiam também ficar sem a ajuda do seguro porque até o final de outubro, o governo do estado não havia quitado a parte que lhe cabe no programa. Os agricultores e as prefeituras pagaram as suas cotas, mas sem a contribuição do governo estadual, o benefício não pode ser repassado aos agricultores que tiveram prejuízos.

A última informação é que o governo quitou as parcelas que estavam em atraso. O secretário de Desenvolvimento Rural no Piauí, Rubens Martins, pediu para a secretaria entregar os comprovantes de pagamento. Pelos documentos, o governo afirma que pagou R$ 3,2 milhões.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário informa que a partir do pagamento vai rever a situação dos municípios que tiveram perdas.

sábado, 12 de novembro de 2011

Ministério do Desenvolvimento Agrário não reconhece os prejuízos.


 José, agricultoror de Sertânia, no sertão de Pernambuco, está terminando a limpeza da área para começar em breve a plantar novamente milho e feijão. No primeiro semestre deste ano, ela diz que só teve perdas por causa da estiagem. O Garantia Safra seria um auxílio importante, mas Maria José está com receio de ficar sem o benefício.

Outro município do sertão de Pernambuco que está com o mesmo problema é Petrolina. A informação recebida foi que o Garantia Safra não será pago este ano, notícia que deixou preocupados os agricultores do distrito de Rajada.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário informa que o município de Petrolina não seria contemplado com o benefício porque não ficou confirmada a perda agrícola igual ou superior a 50%, o que impede o pagamento. De acordo com a prefeitura, o governo federal tem como base, dados de análises meteorológicas, números de comercialização de produtos e informações do IBGE.

O que está faltando é um acordo sobre os critérios. Quanto à medição da chuva, o Ministério usa a média do município como um todo, não leva em conta as diferenças de uma área para outra. Os técnicos do IPA, o Instituto Agronômico de Pernambuco, atestam as perdas locais e para eles houve, sim, perdas significativas em Sertânia, por exemplo.

No Ministério do Desenvolvimento Agrário, em Brasília, a secretaria de Agricultura Familiar informa que as divergências em relação ao seguro são comuns. Os técnicos recusam os laudos dos municípios quando discordam de pontos do relatório, nos casos em que não há, por exemplo, evidências de perdas de 50% de perdas na plantação.

Uma reavaliação da situação dos municípios de Sertânia e Petrolina será realizada e o Ministério pode decidir sobre os pagamentos até a semana que vem.